O Google Search Console passou a exibir um novo recorte no relatório de desempenho: a pesquisa multimodal. Dentro do tipo de pesquisa Web, que antes reunia todos os resultados em um único bloco, agora existem duas opções: “Com base em texto” e “Multimodal”. A segunda isola as buscas em que a pessoa chegou ao seu site a partir de uma imagem, foto ou captura de tela.
A novidade foi identificada em setembro de 2026, com liberação gradual, e por isso pode ainda não aparecer em todas as propriedades. Ela importa porque dá visibilidade a um comportamento de busca que, até então, ficava misturado aos dados de texto.
Este artigo explica o que é a pesquisa multimodal, onde encontrar o filtro, o que ele mostra e o que não mostra, como interpretar os números e quais ações de SEO fazem sentido a partir deles.
O que é pesquisa multimodal
Uma pesquisa é multimodal quando a consulta usa mais de um formato de entrada. O exemplo mais comum é a combinação de imagem e texto, mas o ponto central é que a busca não nasce apenas de palavras digitadas.
Segundo a descrição do Google para o filtro, ele registra os resultados de busca disparados por uma consulta que usa imagem, foto ou captura de tela. Buscas feitas só com texto continuam sendo contabilizadas como “Web com base em texto”.
Na prática, isso cobre recursos que já fazem parte da rotina de muita gente:
- Google Lens, que identifica objetos, produtos, lugares e textos a partir da câmera ou de uma foto;
- Circle to Search, recurso de aparelhos Android que permite circular ou selecionar algo na tela para pesquisar;
- envio de imagens diretamente na Pesquisa Google;
- pesquisa de imagem pelo Chrome, com o clique do botão direito sobre uma imagem.
O que muda para quem cuida de um site é o ponto de partida do usuário. Em vez de pensar em uma frase, ele mostra um objeto ou uma cena. O Google interpreta a imagem, entende o que ela representa e devolve páginas que podem responder àquela necessidade.
Onde encontrar o filtro de pesquisa multimodal
O caminho é o mesmo do relatório de desempenho que você já usa:
- Acesse o Google Search Console e selecione a propriedade.
- No menu lateral, abra Desempenho e, em seguida, Resultados da pesquisa.
- No topo do relatório, clique em Tipo de pesquisa.
- Na aba Filtro, dentro de Web, escolha Multimodal (ou Com base em texto, para ver o restante).
- Clique em Concluído para aplicar.
A aba Comparar permite colocar os dois recortes lado a lado no mesmo período, o que é a forma mais útil de entender quanto peso o tráfego multimodal tem em relação ao de texto.
Se a opção “Multimodal” não aparece na sua conta, a explicação mais provável é a liberação gradual. Vale voltar a conferir nos próximos dias.
O que mudou no filtro “Web”
Antes, escolher Web significava ver todos os resultados dessa categoria juntos. Agora o tipo de pesquisa fica organizado assim:
| Opção | O que registra |
|---|---|
| Web: com base em texto | Buscas na web feitas apenas com texto |
| Web: multimodal | Buscas na web iniciadas por imagem, foto ou captura de tela |
| Imagem | Resultados exibidos na busca de imagens do Google |
| Vídeo | Resultados de vídeo |
| Notícias | Resultados em notícias |
A diferença entre Imagem e Multimodal costuma gerar confusão. O filtro Imagem mostra o desempenho dos seus arquivos de imagem nos resultados de imagens do Google. O filtro Multimodal mostra buscas na web em que o usuário usou uma imagem como ponto de partida. São situações diferentes, e o mesmo site pode ter volumes muito distintos em cada uma.
O que o filtro mostra e o que ele não mostra
O que você consegue analisar
O relatório mantém as métricas de sempre: cliques, impressões, taxa de cliques (CTR) e posição média. É possível acompanhar a evolução por data e, conforme a documentação do relatório, agrupar por outras dimensões como página, país e dispositivo.
O que não aparece: as consultas
O ponto de maior atenção é a ausência da dimensão Consultas quando o filtro multimodal está selecionado. A explicação do Google é lógica: como essas buscas usam principalmente imagens, não há um termo de pesquisa em texto para registrar.
Isso tem uma consequência prática. Você vai saber que o site recebeu tráfego multimodal e em quais páginas, mas não vai saber qual palavra-chave originou a busca, porque ela pode simplesmente não existir.
Outro cuidado é com a posição média e o CTR. Sem uma consulta de texto de referência, esses números não são diretamente comparáveis aos do filtro de texto. Use-os para acompanhar a evolução do próprio recorte multimodal, e não para comparar os dois tipos de busca entre si.
Como interpretar os dados sem palavras-chave
Como o caminho da palavra-chave não está disponível, a leitura precisa se apoiar em outras dimensões.
Comece pelas páginas. Agrupe os dados por página e veja quais URLs recebem impressões e cliques multimodais. A tendência é que apareçam páginas com forte componente visual, como produtos, receitas, lugares, tutoriais e conteúdos de identificação. Essa hipótese deve ser confirmada com os dados do seu site.
Calcule a proporção. Compare, por página, o volume multimodal com o total de buscas na web. Páginas em que a proporção é alta merecem atenção redobrada na parte visual.
Compare dispositivos. Recursos como Circle to Search estão ligados a aparelhos Android, e o uso da câmera é natural no celular. Verificar a divisão entre mobile e desktop ajuda a entender o perfil desse tráfego.
Observe datas e picos. Lançamentos de produtos, campanhas e sazonalidade podem gerar variações que ajudam a explicar a origem da demanda visual.
Cruze com outras fontes. O Google Analytics, em geral, não separa o tráfego multimodal como uma origem própria. O cruzamento é feito por página e período: veja o comportamento dos visitantes orgânicos nas páginas que mais recebem buscas multimodais e avalie engajamento e conversão.
O que fazer para aparecer melhor em buscas multimodais
O filtro é um recurso de medição, não um fator de ranqueamento. O que ele faz é mostrar um canal que já existia. A documentação do Google sobre boas práticas de SEO para imagens afirma que as recomendações gerais são as mesmas para os diferentes recursos visuais da Pesquisa. Isso significa que o trabalho é conhecido e pode ser organizado em frentes.
Imagens rastreáveis e bem descritas. Use o elemento HTML de imagem com o atributo alt descritivo e evite usar imagens de fundo em CSS para conteúdo importante, porque elas são mais difíceis de serem interpretadas pelo Google. Nomes de arquivo descritivos também ajudam.
Contexto ao redor da imagem. O Google interpreta a imagem junto do texto da página. Títulos, legendas e parágrafos próximos devem explicar o que a imagem mostra e para que serve.
Imagens de boa qualidade. Fotos nítidas, bem iluminadas e que representem o assunto com fidelidade são mais fáceis de reconhecer. Para produtos, ângulos e detalhes diferentes ampliam as chances de correspondência.
Dados estruturados. Marcações de produto, ofertas de comerciantes e outros tipos ajudam o Google a associar a imagem a informações concretas, como preço e disponibilidade.
Página de destino que resolve. Quem chega com uma imagem normalmente quer saber o que aquilo é, onde comprar, quanto custa ou como usar. Páginas que respondem a essas dúvidas de forma direta convertem melhor do que páginas apenas decorativas.
Desempenho e experiência no celular. Como grande parte dessas buscas nasce no smartphone, velocidade e estabilidade visual pesam ainda mais. Esse é o território do SEO técnico e dos Core Web Vitals.
Presença local. Para negócios com ponto físico, fotos reais da fachada, dos ambientes e dos produtos, além de um perfil completo no Google Meu Negócio, ajudam o Google a conectar uma imagem ao estabelecimento certo. É parte do SEO local.
Limitações e cuidados ao usar o filtro
Como o recurso é novo, algumas ressalvas evitam conclusões precipitadas.
- Liberação gradual. O filtro pode não estar disponível em todas as contas ao mesmo tempo.
- Histórico curto. Dados de um recurso recém-lançado podem ter período limitado. Confira o intervalo disponível antes de tirar conclusões de longo prazo.
- Volume baixo. Em sites menores, o volume multimodal pode ser pequeno e oscilar bastante de um dia para outro. Prefira granularidade semanal ou mensal para suavizar as variações.
- Totais que nem sempre fecham. O Google explica que gráficos e tabelas podem divergir por causa da forma de agregação. A página de solução de problemas de discrepâncias nos dados detalha o motivo. Ao comparar “Web” com os dois subfiltros, confirme na sua propriedade como os totais se comportam.
- Sem dados de consulta. Não é possível descobrir palavras-chave a partir desse filtro. Se você precisa de termos, o recorte de texto continua sendo a fonte.
- Recursos de IA têm relatório próprio. O desempenho nos recursos de IA generativa da Pesquisa fica em um relatório específico, separado do filtro multimodal.
Como a pesquisa multimodal se encaixa em uma estratégia de SEO 360°
Uma estratégia completa de SEO parte de um princípio: cada frente sustenta as outras. O filtro multimodal reforça esse princípio ao mostrar que a visibilidade nos mecanismos de busca não depende mais apenas de texto.
- Na medição, o novo recorte amplia o mapa de como as pessoas chegam ao site.
- No SEO técnico, garante que imagens sejam rastreáveis, leves e bem marcadas.
- Na estratégia de conteúdo, orienta a produção de conteúdos com apoio visual que expliquem, identifiquem e ajudem a decidir.
- No SEO local, reforça a importância de imagens reais e consistentes do negócio.
- Na visibilidade em IA, alinha-se ao trabalho de GEO, já que sistemas de busca generativos também interpretam imagens e contexto.
O ponto de partida continua sendo o mesmo: entender o estado atual do site. O diagnóstico de SEO mostra se as páginas mais importantes estão preparadas para receber esse tipo de visita.
Perguntas frequentes sobre a pesquisa multimodal no Search Console
O que é a pesquisa multimodal no Google Search Console? É um filtro do relatório de desempenho que separa, dentro do tipo de pesquisa Web, as buscas iniciadas por imagem, foto ou captura de tela. Buscas feitas apenas com texto ficam no filtro “Com base em texto”.
Onde fica o filtro multimodal? No relatório Desempenho, em Resultados da pesquisa. Clique em Tipo de pesquisa e, na opção Web, selecione Multimodal.
Por que o filtro multimodal não aparece no meu Search Console? O recurso está sendo liberado de forma gradual. Se ainda não aparece na sua conta, tente novamente nos próximos dias.
Por que não consigo ver as consultas nas buscas multimodais? Porque essas buscas usam principalmente imagens, e não há termo de pesquisa em texto para registrar. Por isso, a dimensão Consultas não fica disponível quando o filtro está selecionado.
Qual é a diferença entre o filtro Imagem e o filtro Multimodal? O filtro Imagem mostra o desempenho do site nos resultados de imagens do Google. O filtro Multimodal mostra buscas na web iniciadas pelo usuário com uma imagem, como acontece no Google Lens ou no Circle to Search.
Isso muda o ranqueamento do meu site? Não. O filtro é uma ferramenta de análise e não altera a forma como o Google classifica as páginas. O que ele faz é revelar um canal de entrada de tráfego que já existia.
Como otimizar um site para pesquisas multimodais? Com as boas práticas de SEO para imagens: imagens bem descritas e rastreáveis, contexto textual ao redor, dados estruturados, páginas rápidas no celular e páginas de destino que respondam ao que o usuário procura.
O filtro está disponível na API e na exportação de dados? Como o recurso está em liberação, a disponibilidade do recorte multimodal na API do Search Console e na exportação em massa deve ser conferida na documentação oficial do Google.
Conclusão
A pesquisa multimodal no Search Console é um sinal de que o comportamento de busca está se ampliando. O usuário não precisa mais descrever o que procura: basta mostrar. E, pela primeira vez, o relatório de desempenho permite enxergar parte desse movimento separadamente.
Os dados ainda têm limites, principalmente pela ausência de consultas, mas já indicam quais páginas recebem esse tipo de visita e como ele evolui ao longo do tempo. O caminho é usar essa informação para orientar decisões concretas: melhorar imagens, reforçar o contexto das páginas, cuidar da experiência no celular e alinhar o conteúdo à intenção de quem busca com uma foto.
Se você quer saber como o seu site está preparado para buscas em texto, imagem e IA, comece pelo diagnóstico de SEO. Ele organiza o que corrigir, o que construir e por onde começar.